EBAI 2009 – Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação
Nos dias 2 e 3 de outubro participamos do 3º EBAI – Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação. O congresso proporcionou desde o contato com cases interessantes de profissionais da área até questionamentos sobre o que é Arquitetura de Informação e suas competências.
Começando pelos cases, destaco o da Agência Click, chamado “Bastidores da Criação e desenvolvimento do Novo portal FIAT” apresentado pela Silvia Melo e Fabricio. Pudemos ver as etapas de criação desde a proposta inicial até o resultado, passando por inúmeros questionamentos ao longo do projeto:
· Fundo escuro ou claro, o que isso comunica?
· Minimalismo ou fartura de informação?
· Como o usuário procura um carro novo: pelo modelo ou pelas características?
Os testes de usabilidade aplicados durante o projeto foram essenciais para indicarem as correções e melhorias na experiência do usuário de forma ágil, um ponto a ser considerado ao fazermos qualquer projeto por menor que seja.
O INdT (Instituto Nokia de Tecnologia) mostrou os desafios de projetar interfaces para dispositivos móveis. Quando projetamos um site ou uma aplicação web, normalmente não precisamos nos preocupar tanto com o hardware dos usuários. As variações físicas não são tão extremas como encontramos em dispositivos móveis com telas, tamanhos e formatos tão diferentes que determinam o modo de interação com a interface. Além do aparelho, quando projetamos para mobile não temos certeza do ambiente e condições em que será usado.
O Rafael Kiso da Focusnetworks trouxe uma comparação do sistema AHEAD (voltado à manutenção preventiva de aviões) que teve em sua primeira versão uma interface projetada exclusivamente pelos programadores. A reformulação contou com testes, casos de uso, personas e preocupação com quem usa o sistema. Conclusão, o resultado foi que a Embraer teve respostas concretas de satisfação dos clientes, os quais reduziram significativamente custos, além de aproveitar o conhecimento dos usuários para alimentar o sistema e facilitar o trabalho de pessoas com a mesma função separadas geograficamente.
As questões ‘teóricas’ ou até ‘filosóficas’ também levaram à reflexão de nossas responsabilidades e objetivos no trabalho de arquitetura de informação, design de interação, usabilidade, design centrado no usuário e todos os nomes que conhecemos.
Os pontos levantados pelo Gil Barros em sua apresentação ‘Com quantos chapéus se faz um arquiteto?’ e pelo convidado internacional Andrew Hinton foram úteis para pensarmos ainda mais a respeito dos papéis que podemos assumir como arquitetos de informação e designers de interação.
A experiência do usuário vai muito além de rotular um botão, escolher um ícone ou montar sitemaps. Devemos ter este tipo de preocupação, mas lembrarmos que nossa atuação pode ser bem mais ampla. Podemos desempenhar funções estratégicas de definição do produto por exemplo. Em um dos cases do INdT os testes da interface contribuíram com melhorias de hardware que seriam desenvolvidos futuramente.
O Ricardo Grandinetti da Fhios abordou o assunto da venda da Arquitetura de Informação aos clientes. Concordo plenamente que, para que possamos vender nosso trabalho, será preciso embasarmos em resultados e não apresentarmos apenas os métodos de desenvolvimento. Isso significa que as empresas só vão reconhecer a importância do design centrado no usuário quando perceberem que a forma como trabalhamos traz resultados tangíveis e superiores. O caso da Embraer será um ótimo argumento de venda de projetos futuros por quem desenvolveu. A empresa que contratou terá a visão de que poderiam ter desenvolvido o sistema desde a primeira versão desta forma e que os resultados e retorno financeiro poderiam ter acontecido mais cedo.
A apresentação do Felipe Memória, que foi trabalhar na Huge, mostrou um possível futuro para quem pretende trabalhar fora do Brasil. As diferenças de cultura, fluência no idioma (por exemplo, muitos pensam que são fluentes em inglês e chegando lá não conseguem defender uma idéia) e outros aspectos, aparentemente sem importância, acabam sendo um peso no dia a dia.
E para finalizar, outro ponto importante comentado pelo Memória foi a respeito de profissionais que desejam ser realmente bons no que fazem. Para atingir este objetivo, devemos estar dispostos a trabalhar sempre mais do que os outros. Quanto mais praticamos, mais aprendemos e nos desenvolvemos. O talento e a sorte sempre ajudam, mas pessoas dedicadas conseguem destaque quando elas querem.
Tags: AI, arquitetura de informação, Design de Interação, ebai09, experiência do usuário, testes de usabilidade, Usabilidade




