Reflexões sobre uma união
Terça-feira, 8 de julho de 2008 por VerenaImplantar processos ágeis em certas áreas ainda é um grande desafio. Um exemplo vem da Experiência do Usuário. Existem muitas vantagens e pontos positivos, claro!, mas alguns aspectos ainda merecem reflexões, especialmente quando se trata de processos criativos como Design e algumas partes da Arquitetura da Informação.
E, como é essa a proposta de um blog - sharing idea, changing the world, podemos aproveitar para levantar algumas questões.
Criatividade em sprints
Processos criativos envolvem fases mais longas: criação de conceito, pesquisa de referências, brainstorm… Em processos ágeis, essas tarefas devem acontecer em sprints que acontecem em períodos de 2 a 3 semanas cada. O grande desafio é transformar uma história em outras histórias que contemplem atividades de definição criativa. Isso tem acontecido quando geramos um Spike, que é um estudo inicial de alguma história que será realizada no futuro.
Outra forma é o conceito de Design Studio, em que designers e arquitetos da informação implementam atividades de brainstorm e criação de protótipos em papel através de tarefas lúdicas, interações e reuniões colaborativas. Esta é uma idéia bem interessante que iremos falar mais por aqui no futuro. Para quem deseja saber mais, vale assistir a uma apresentação do case Jewerly TV, que foi apresentado no evento IxDA Interaction 08.
Menos documentos
Em Arquitetura da Informação, documentação é a moeda. Tanto que, entre AIs, adoramos ver documentos gerados um pelos outros e comentar, criar novos formatos. Documentação é parte do DNA da Arquitetura da Informação.
Nos processos ágeis, um dos dogmas prega “quanto menos documentação, melhor”. Este é o grande desafio na implantação destas metodologias na AI. Digo isso, porque vejo como o maior dos desafios, já que envolve mudança de paradigma, de cultura, do fazer e do que sempre se acreditou ser a melhor forma de realizar os projetos.
Mas, neste ponto, acredito que os processos ágeis só chamam bons ventos: muitos dos documentos gerados em projetos de Arquitetura da Informação são desnecessários e não se complementam de uma forma que justifique a proliferação de bytes e bytes de informação.
Um wireframe navegável junto a um pequeno estudo do produto pode ser o suficiente em boa parte dos casos. Menos fidelidade em termo de design, mais especificação de requisitos e fluxo de navegação.
Guidelines, porém, são documentos do “bem”, já que auxiliam na criação de projetos futuros, com exemplos de boas práticas e padrões em design, elementos de navegação, personas e exemplos de testes de usabilidade.
AgIle: o casamento
Um ponto é certo: a estrutura dos processos ágeis envolve características muito simpáticas ao dia-a-dia dos arquitetos da informação. Afinal, ser AI significa entender interações e trabalho colaborativo junto aos usuários. No processo ágil, trabalho pareado e cooperação entre membros da equipe de UX é incentivado como parte da dinâmica do sprint, o que acaba sendo muito saudável no desenvolvimento da arquitetura da informação e do design de interação.
Os próprios agentes do processo interagem entre si, navegam pelos wireframes e protótipos, discutem usabilidade e, assim, opinam em uma fase em que ajustes podem ser realizados facilmente. Ponto mais que positivo!
Além disso, as pequenas entregas de histórias – sprints de 2 a 3 semanas – ajudam a gerar feedback de usuários de uma forma mais rápida e possibilitar, para a área de desenvolvimento do produto, mudanças menos impactantes de recursos que a área de UX percebe não atender as necessidades do usuário.
Experiência do usuário é entender interações, processo ágil é trabalhar em cooperação. E, como todo casamento, esta união é cheia de boas promessas e desafios animadores.







